Finlândia

Patronato suspende <em>lock-out </em>

Os cerca de 24 mil operários da indústria finlandesa do papel e cartão voltaram ao trabalho na sexta-feira, dia 1, após um encerramento de sete semanas imposto pelo patronato para tentar quebrar o movimento reivindicativo no sector.
O início do conflito remonta a Novembro de 2004 quando os representantes da Federação das Empresas Florestais romperam as negociações tripartidas (com os Sindicatos e o Estado), recusando subscrever um acordo sobre rendimentos e condições de trabalho aplicável a cerca de um milhão de assalariados finlandeses.
O patronato alega que os elevados salários (que podem atingir 40 mil euros por ano) e algumas regalias (como a semana de férias nas festividades de Natal) são factores que minam a competividade do sector. Os trabalhadores respondem com paragens esporádicas, seguindo-se duas greves, a primeira em Abril e a última, de três dias, em Maio (ver edição do «Avante!» de 19 de Maio).
A federação patronal inicia então um longo braço-de-ferro decretando, em 18 de Maio, o encerramento das 54 fábricas de papel. O lock-out, autorizado pela lei finlandesa, custará à directamente à indústria do papel cerca de 1,5 mil milhões de euros, à razão de 40 milhões de euros por cada dia de paragem. Mas terá repercussões muito mais vastas no conjunto da economia do país, contribuindo de forma decisiva para diminuição drástica do crescimento em 2005. Segundo o Instituto de Investigação Económica da Finlândia (ETLA), a evolução do Produto Interno Bruto deverá ficar-se pelos 1,5 por cento contra os três por cento estimados em Março.
No final, o compromisso negociado pelo mediador governamental estipula uma revalorização salarial de 2,5 por cento em 2005 e de 1,9 por cento em Junho de 2006. Os feriados da quadra natalícia são suprimidos mas os trabalhadores obtêm uma redução anual no tempo de trabalho. Por último, embora tenha sido aceite o princípio do recurso a sub-empreiteiros, a sua aplicação será avaliada por um comité constituído por sindicatos, patronato e governo que deverá pronunciar-se por unanimidade.


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